quinta-feira, 1 de abril de 2010

O malabarista inconsciente

A pergunta que me perseguirá pelo resto da vida é Por que Roma? Tenho três respostas, que uso conforme as circunstâncias:

— Por que não? A civilização ocidental é herdeira de Roma. Somos todos romanos;

— Sou um urbanoide. Cenários urbanos sempre me fascinaram. A tentação de ambientar uma narrativa na primeira metrópole do mundo era grande demais;

— Fiquei obcecado pela História de Roma depois do 11 de setembro.

Nada disso é mentira, embora em nenhuma dessas justificativas esteja a verdade completa. Uma variante da pergunta Por que Roma? foi lançada por uma amiga: Por que você não escolheu os gregos?

Porque eles não usavam sapatos. Porque não entendo aquele alfabeto de alfas e ômegas. E porque, se esbarrasse com Platão numa esquina, eu daria uns sopapos nele. Onde é que já se viu exilar os poetas da República?

Nada disso é verdade. Exceto, talvez, minha antipatia por Platão. Mas o que me motivou a preterir gregos em favor de romanos não pode ser elucidado com duas ou três frases de efeito.

Minha escolha por Roma foi inconsciente. Fruto inesperado de muitas neuras e leituras. Depois de vinte anos quase contínuos de psicoterapia, ainda não sei me explicar. Apenas sei mentir lindamente para mim mesmo.

3 comentários:

Maria Camargo disse...

Como disse meu velho pai, "é temeridade mostrar respostas a questões interiores"... Beijo, querido.

Marcia Naidin disse...

Sou fã de um certo gaulês que costuma dizer que os romanos são uns loucos. A conferir depois do dia 15 ;-)

Moa Peraccini disse...

Nada como mentiras verdadeiras para reforçar nossas convicções, não é?
Estou aguardando ansiosamente pelo lançamento do livro no dia 15.
E depois irei buscando os anteriores, one by one...
abs e sucesso.